Boa noite. Os domingos. Já que é pra ser nostálgico faremos isso com coisas boas. Ontem foi o dia tão desejado, nossa primeira atuação como CLOWNs. Chegamos à sala 104 B já passavam das 10:30h da manhã. Nossos celulares TIM não tinham serviço e estavamos incomunicáveis com os outros componentes do grupo, nós seriamos: Igor, eu , Fernanda, Emanuelle, e Carol.Várias coisas iam encaminhando para que não acontecesse . Mas não nos precipitamos e então seguimos para a praça, maquiados, atrasados, mas cheios de vontade.
Ao chegarmos lá, amargamos. Onde estavam todos. Era pra praça estar lotada, por conta do evento social que estava sendo realizado lá, mas encontramos o que geralmente se vê no fim de festas - lixo, poucas pessoas e peças sendo desmontadas. Por um momento achamos que não ia rolar. Mas quando o Igor chegou e colocou o nariz dele, escondidinho na cabine telefônica e entrou no estado máximo de energia e comprou o risco, foi inevitável. Geramos a nossa energia e também compramos o risco. Fizemos nosso ritual individual e subimos a máscara. Começamos a escrever os cartazes e fomos pro picadeiro.
No começo eu e algumas das meninas encontramos um menino muito estranho, eu ofereci um abraço e ele rejeitou alegando não querer um abraço que era de todo mundo, que não queria porque não sabia quantas pessoas eu já teria abraçado hoje. Ok. Confesso que pelo desdém dele eu nem cheguei a amargar direito, foi estranho. Dae ele começou a vir com um papo estranho de que ele tinha um desafio, começou a falar umas coisas nada a ver pra gente, que ele queria ver quem de nós ia conseguir abraçar mais pessoas até o final da atividade. Minha vontade era de olhar pra cara dele como quem diz: - Ahhhhhh, meu bem, look at my face (risos). Mas, eu tava ali por um motivo melhor e bemmmmmmmm mais interessante que sair por ai apostando com uma pessoa que nem de abraço gosta. Peguei e sai de perto, fui pra frente com a Manu e mais a Lady brigadeiro, eu acho. E a partir daquele momento eu pude experimentar um mix de sensações e de situações.
Um senhor mais velho veio na minha direção me dizer para abraçá-lo, porque ele também era ser humano, e merecia como todo mundo, foi a segunda pessoa que eu abracei se não me engano, antes eu tinha abraçado uma mulher que estava sentada. E eu olhei pra ele, bemmmm no fundo, e eu disse: - Mas é com muita vontade que eu lhe peço um abraço. E então ele sorriu e me deu um abraço meio sem jeito logo querendo soltar, e eu segurei por mais um tempo, dando um abraço de jeito (risos). Quando nos soltamos ele sorria de um jeito tão bunitinho, que eu pude perceber o quanto precisamos abraçar mais a TODOS.
Outro momento que me marcou muito bem foi quando fui abraçar um pessoal que estava vendendo alguma coisa num carrinho, estavam perto de um orelhão, sentados. Depois de abraçá-los um dos homens veio me perguntar de onde éramos e por que estávamos ali. Eu expliquei que éramos alunos da UNIC, de medicina, e estávamos fazendo o “ ABRAÇO GRÁTIS” como parte prática do curso de PALHAÇOTERAPIA. Ele me surpreendeu dizendo que o que nós fazíamos era AMORTERAPIA, e que palhaçoterapia não combinava conosco, porque nós não estávamos ali tirando sarro ou sendo inconvenientes, nós estávamos distribuindo amor. Que precisávamos fazer isso mais vezes, porque o mundo precisa de amor e não de palhaços – ou ele disse-me algo bem parecido com isso. Nossa, fiquei sem palavras na hora. Feliz demais por saber que estávamos no caminho certo, estávamos conseguindo sensibilizar o nosso publico, mas eu tive um pouco de medo por conta da visão que todos temos do palhaço, e digo temos, porque eu também precisei reconsiderar o conceito – palhaço – que eu sempre tive, e que o Mestre Gentileza nos explicou bem. Então eu comecei agradecendo a ele, por ter feito essa ressalva sobre nosso carinho e nossa importância ali no trabalho, e disse que éramos palhaços simples e diferentes nos nossos objetivos, disse que estávamos justamente mostrando o quanto – palhaços – sabem amar e ser amados. Não sei o quanto eu mudei o conceito dele sobre todos os palhaços, mas acho que ele percebeu que nós – palhaçoterapêutas – viemos pra fazer a diferença.
Enfim... foi uma experiência maravilhosa, não senti ressalvas com relação a minha roupa, meus ajeitados eram bemmmm eventuais, só quando meu vestido já estava lá no chão. Tomei o cuidado de saber manter o espaço do outro, até porque algumas crianças bem pequenas tiveram medo, e eu soube conversar com a mãe pra que não insistissem. Mas teve uma baby de colo, que se agitou toda quando eu abracei os irmãos dela, e ria e pulava, não tive como não me sentir muito feliz ao vê-la sorrir, sem dentes sem medo da maquiagem, nem nada! O pessoal que passava na rua foi muito receptivo, mais do que eu pude imaginar, as mães achavam que eu iria abraças só aos seus filhos, mas eu levantada e ia lhes abraçar, e elas riam. Foi uma delícia. Foi um ótimo inicio com certeza.
A noite eu fui num aniversário, e várias pessoas da faculdade que estavam lá comentaram das fotos que tinham visto no facebook do free hugs. E uma menina veio me dizer que queria muito ter feito o curso, mas não tinha dado pra ela encaixar na agenda dela dessa vez, então ela me disse que não sabia como teria sido pra ela, porque ficou pensando como abraçar “as pessoas fedidas” – palavras dela. E eu refleti. Não me recordei de sentir esse receio, nem mesmo de sentir mau cheiro em ninguém que eu abracei, talvez não estivessem perfumadas ou até estivessem mesmo mal cheirosas, mas não percebi, estive tão envolvida no clima do trabalho que não PERCEBI nisso. E foi muito legal porque eu me lembrei do quanto nós frisávamos isso nos nossos diários, e o quanto o gentileza fez questão de nos dizer no começo do curso que se nós não nos considerássemos os melhores, não ia existir confiança, não íamos nos sentir confortáveis, e que precisávamos acreditar e frisar nossas qualidades. Acho que foi mais ou menos isso que aconteceu, não estávamos ali pra julgar a roupa, o cheiro ou qualquer outra coisa, estávamos querendo ser os melhores “abraçadores” do mundo, quiçá do universo. Bom não sei se minha reflexão foi a mais correta a cerca do nosso trabalho, mas pra mim foi isso. Pra mim foi imprescindível confiar em vocês, estar com vocês. Vocês são mesmo, sem dúvida alguma, os melhores companheiros do mundo. Obrigada!
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